Chove. Passeio por entre as lágrimas do céu, que caem pesadas e ensopam meu rosto. Meus pés seguem por entre poças, e eu sinto cada passo, cada etapa da minha caminhada. Meu corpo treme com os trovões e relampagos. O céu triste se ilumina eventualmente, indicando que existe luz em algum lugar. Desejo que a chuva lave meus medos, minhas dores e alimente meus momentos de alegria. Meus cabelos descem pelas costas molhadas, cordões por onde a água segue, escolhendo o atalho mais fácil, mais seguro para encontrar minha pele que arde uma febre interna. Busco onde estariam as estrelas, minhas companheiras de viagem, e sei que, mesmo longe dos meus olhos, elas me observam. E ao lado delas, a lua se esconde, para retornar quando as nuvens se forem.
